UMA CARTA VINDA DO CEARÁ,
Bernivaldo Carneiro
Caro
Domingos Pascoal, tudo bem?
O
livro me chegou mais como voz do que como obra — voz antiga, dessas que tateiam
o mundo quando a visão falha e, talvez por isso, enxergam mais fundo. Escrita
irônica, bem-humorada e sem pose, do tipo que não pede pressa: pede escuta.
Na
lucidez da avó cega — eixo do livro — Portugal deixa de ser mapa e passa a nos
pertencer. Ali há mais do que memória: há legado.
Por
coincidência, naquela mesma semana, eu, minha mulher e um casal de amigos
também circulávamos por Lisboa e arredores. Pena não termos nos encontrado lá.
Teríamos certamente aberto um vinho e conversado sobre literatura, viagens,
física quântica, a flexibilidade dos cachimbos de barro e as idiossincrasias
dos miolos de potes.
Diga-lhe ainda que escrevo narrativas de viagem e a excursão acima referenciada integra o segundo livro de uma trilogia que venho construindo. E que terei enorme prazer em ler outros livros dele — por compra ou por um honesto escambo literário.
(Por Bernivaldo Carneiro, de Fortaleza,
em 2026jan03)

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