segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

UMA CARTA VINDA DO CEARÁ, Bernivaldo Carneiro

 

UMA CARTA VINDA DO CEARÁ, Bernivaldo Carneiro

  



Caro Domingos Pascoal, tudo bem?

 Acabei de ler “PORTUGAL e Minha Avó Cega” e gostei tanto que não resisto em lhe solicitar: leve ao Saracura essa impressão rápida e sincera.


O livro me chegou mais como voz do que como obra — voz antiga, dessas que tateiam o mundo quando a visão falha e, talvez por isso, enxergam mais fundo. Escrita irônica, bem-humorada e sem pose, do tipo que não pede pressa: pede escuta.

Na lucidez da avó cega — eixo do livro — Portugal deixa de ser mapa e passa a nos pertencer. Ali há mais do que memória: há legado.

Por coincidência, naquela mesma semana, eu, minha mulher e um casal de amigos também circulávamos por Lisboa e arredores. Pena não termos nos encontrado lá. Teríamos certamente aberto um vinho e conversado sobre literatura, viagens, física quântica, a flexibilidade dos cachimbos de barro e as idiossincrasias dos miolos de potes.

Diga-lhe ainda que escrevo narrativas de viagem e a excursão acima referenciada integra o segundo livro de uma trilogia que venho construindo. E que terei enorme prazer em ler outros livros dele — por compra ou por um honesto escambo literário.



Abraço grande!

(Por Bernivaldo Carneiro, de Fortaleza, em 2026jan03)

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