quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

OS ESPINHOS DA FLOR por Jilberto Rodrigues

 

OS ESPINHOS DA FLOR por Jilberto Rodrigues

Os Espinhos da Flor é o mais novo romance do escritor Antônio F J Saracura, publicado ano passado pela Editora Infographics. 

Já começo chamando atenção do leitor que a leitura dessa obra deve ser lenta, como quem degusta prazerosamente, de gole em gole, uma taça de vinho. Nesse ato de degustar a obra em seus capítulos, a cada livro (são oito ao todo) o leitor vai se encantando com os lances emotivos, saudosos, realísticos de uma narrativa fluida e envolvente em que figuram os protagonistas Romo (Rômulo) e Flor (Florita) de forma bem arquitetada, conforme o engenho criativo do escritor itabaianense.

Os cenários em que Romo e Flor atuam são recorrentes em outras obras do escritor, predominando o espaço urbano de uma grande cidade, no caso, Aracaju.  Nesse macro ambiente, esses personagens de origem humilde, provenientes dos povoados Flechas e Terra Vermelha, estabelecem-se, mas não apagam de tudo o passado em seus povoados de origem. Pelo contrário, em meio à nova vida, fincam suas raízes, marcam seu território e enfrentam os desafios.

         Saracura é um apaixonado por seu povo e pelo lugar de sua origem, de modo que, em cada livro que publica, traz à tona uma enxurrada de informações sobre sua gente. E com isso, não só resgata os tabaréus, preservando sua história, seus hábitos e seus costumes locais, como os eterniza para as gerações futuras.

         Outro detalhe que chama atenção na obra de Saracura é o fato de o narrador ser muito fiel à realidade em que Romo e Flor vivem. Numa narrativa minuciosa, ao estilo de um diário, ele expõe os altos e baixos da vida de casados desses personagens protagonistas.

Altos e baixos?

Ou seria uma forma metafórica, um jogo de imagens entre “espinhos” e “flor”, artifício usado como pretexto a fim de denunciar o machismo de um homem conservador e prepotente sobre uma figura feminina. Mesmo tendo uma aparência frágil, essa figura tem força para reagir ao modelo imposto por uma sociedade tradicional e machista, sem deixar de ser uma mulher amorosa, praticante de boa fé e uma excelente chefe de família.

Leiam a obra e tirem suas próprias conclusões.




(Por Jilberto Rodrigues de Oliveira, presidente da ALCAM/SE, MALHADOR, 04 DE FEVEREIRO DE 2026).

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