sábado, 20 de junho de 2026

ESPINHOS DA FLOR VALEU À PENA DIZ TOM

 

ESPINHOS DA FLOR VALEU À PENA DIZ TOM




Por Gleideston Rodrigues*

Fui apresentado ao escritor Antonio Saracura, primeiro através da sua obra Os Tabaréus do Sítio Saracura, que li anos atrás. Naquela época eu morava em Brasília e, em férias em Aracaju, adquiri o livro e levei comigo para ler por lá. Fiquei encantado com a leitura, principalmente pela forma quase coloquial da escrita e da narrativa. Pareceu-me uma conversa entre amigos que rememoravam coisas de um tempo precioso de suas vidas. Agora, depois de tantos anos, o conheci pessoalmente e dele recebi seu mais novo romance, Os Espinhos da Flor. E ainda com o privilégio do autógrafo!

De antemão, confesso que foi prazeroso atravessar - com a permissão dos personagens, as porteiras do tempo, para seguir o caminho do casal Romo e Flor.

A trama do romance percorre a vida desse casal e de seus familiares, desde o momento em que se conheceram ainda muito jovens lá pelas cercanias de Itabaiana. À primeira vista, trata-se de um romance de memórias, entremeado de uma construção ficcional de falas e de ações. Assim, no decorrer do enredo, o leitor torna-se um observador onisciente que acompanha as desventuras vividas por Flor ao longo dos anos de convívio com Romo, o seu marido turrão, filhos e netos. Ela é a personagem contadora dessa história. Por isso, a narrativa, em grande parte, é feita em primeira pessoa. São os seus momentos de confessionário, nos quais revela os sonhos perdidos de uma vida feliz e os percalços da vida de casada. O leitor é agora seu confidente.

É um romance carregado de humanidade, porquanto repleto de sentimentos, muitas vezes antagônicos, como é a vida de seus personagens: momentos alegres e tristes, de amor-ódio, compaixão-inveja, ciúmes, mas também de sátiras e irreverências, qualidades intrínsecas às atitudes da protagonista. Nesse particular, mesmo as tragédias cotidianas se transformam em situações cômicas, que levam o leitor a dar boas risadas durante o processo de leitura. Mas não se engane com essas amenidades, pois a trama recrudesce num crescendo de conflitos e aflições à medida que a passagem dos anos acentua o envelhecimento e as fragilidades que daí decorrem. Até chegar ao clímax, quando algo emblemático acontece: com a chegada da velhice, Flor e Romo vão perdendo a memória e, paulatinamente, adentram o mundo do esquecimento.

Para além dessas questões existenciais, o romance possibilita ao leitor uma visão pitoresca do espaço-tempo onde a trama se desenrola. É o caso das ruas do bairro Santo Antônio e de estabelecimentos comerciais dessas localidades, muitos dos quais já não existem. Também elementos do contexto social da época, seus costumes e modos de ser, boas e más condutas nem sempre bem vistas pelas famílias, como as escapadas de Romo para a praça do Cemitério Santa Izabel em busca de “diversão”. Tais relatos faz o romance transitar entre o ficcional e o testemunho de um tempo perdido, que, por agora, é redimido através da pena do escritor.

Contudo, o que é mais importante sublinhar dessa epopeia familiar, é a estranha esgrima que se estabelece desde o princípio entre Flor e Romo. Ela, descendente dos Ferreiros, que eram “cordiais e festeiros”. Ele, dos Saracuras, “capitalistas, de falar e agir contidos”. Essas diferenças atávicas entre eles, que somem e ressurgem em a todo instante, parece ser o Fio de Ariadne que opera a tessitura do romance. Isso eleva a narrativa a um nível de suspense extasiado do começo ao fim. Flor é aquela mulher, em “estado de oxímoro”, no dizer de Dal Farra (2025). Ela é, e às vezes não é. Só depende das suas próprias vontades. Algumas vezes doce, noutras, férrea. Por isso, não sucumbe às imprecações do rude companheiro. Ela é, ao mesmo tempo, flor e espinho. É metafórica. Quem suporia uma conciliação entre seres tão dispares? Isso o leitor só saberá no final do livro.

Esse novo romance do Antonio Saracura, pela leveza de sua escrita e pelo lirismo como aborda com sutileza questões complexas da existência, tomando como ponto de partida personagens fictícios (ou não!), nos arrebata pela singeleza e pela possibilidade que dar ao leitor de refletir sobre a condição humana.

Valeu a pena, Saracura!

*Membro da Academia Riachãoense de Letras, Artes e Cultura18/06/2026, 21:17:17] Tom Academia de Letras do Riachão: Olá, Saracura!

Eis aí umas coisas que escrevi sobre o seu livro.

Gostei muito!

Até!

 

 [19/06/2026, 14:32:46] Antonio Saracura: “Algumas coisas…”  que gratificam e mostram sua bondade comigo.

Bastava um único leitor assim como Tom, para ter valido a pena escrever.

Bastava um 👍,  mas você me prestigia com uma análise  completa da alma do livro, da alma dos personagens… da alma de nosso povo.

Obrigado, Tom

 [19/06/2026, 14:39:11] Antonio Saracura: Um simples obrigado? estou aqui gaguejando  mil palavras, mas entenda como uma festa que nada consegue verbalizar tão  bem sem se perder, por isso. o seco e poderoso “Obrigado, amigo”. .Bom final de semana!

 [19/06/2026, 14:45:53] Tom Academia de Letras do Riachão: Obrigado, querido!

Até breve!

CARLOS FRANÇA ME DÁ O MAIOR PRÊMIO

CARLOS FRANÇA ME DÁ O MAIOR PRÊMIO

 


10:46, 16/06/2026] Carlos França:

Amigo, Saracura, neste exato momento às 10horas e 41 minutos do dia 16 de junho de 2026 estou acabando de ler seu maravilhoso livro " Os espinhos da Flor".

Meu amigo, seu livro é uma obra prima, confesso que me emocionei com a passagem da Dona Flor para o mundo espiritual, parecia que eu estava ao lado dela, como de resto me emocionei com todo o conteúdo.

O livro você disse é uma ficção, mas poderia ser real.

Parabéns por esse trabalho maravilhoso.

Romo, Flor e seus descendentes me encantaram.

Obrigado

[10:47, 16/06/2026] Obs: Peço que coloque meu depoimento nas suas redes sociais.

XXX

[20/06/2026, 19:28:50] Antonio Saracura: Boa noite, Carlos Franca,

Obrigado pelas bonitas palavras sobre Os Espinhos da Flor.

 [20/06/2026, 19:29:20] Antonio Saracura: Vou divulgar mesmo ‎<Mensagem editada>

 [20/06/2026, 19:32:21] Antonio Saracura: “O feed-back” do leitor é o maior prêmio ao escritor. É quem o anima a prosseguir.

 [20/06/2026, 19:32:41] Antonio Saracura: Obrigado, amigo Carlos.

 

sábado, 16 de maio de 2026

Quando o Regional se Torna Universal, Francisco Bernivaldo Carneiro

Quando o Regional se Torna Universal.



 O sergipano Antônio FJ. Saracura pertence à rara linhagem de escritores que não apenas narram histórias: fazem a própria terra falar. Em “Os Espinhos da Flor”, ele reafirma a força de uma pena madura, profundamente regionalista e marcada por refinada sensibilidade humana, compondo uma obra robusta, impregnada de memória, identidade e observação social.

O livro transita com segurança entre o romance regional, a evocação afetiva e a leitura crítica das relações humanas, construindo personagens que parecem moldados no barro quente do sertão, entre suor, silêncio, resistência e contradição. Saracura escreve com autenticidade rara. Sua linguagem não se rende ao artificialismo nem à ornamentação vazia: brota viva, oral, imagética e carregada de densidade cultural. Em muitos momentos, o leitor não apenas acompanha os acontecimentos — sente o cheiro da terra molhada, escuta o rumor das casas antigas, percebe o ranger das porteiras, os silêncios da roça e os espinhos escondidos sob a delicadeza da flor anunciada no próprio título.

Como já ocorrera em “Tambores da Terra Vermelha” e “Portugal de Minha Vó Cega” — livros que igualmente merecem leitura e aplauso —, Saracura demonstra sólido domínio narrativo, forte consciência estética e impressionante capacidade de converter o regional em universal. Seus personagens pertencem a um chão específico, mas suas dores, afetos, perdas, esperanças e ambiguidades alcançam qualquer leitor, em qualquer latitude.

Há na escrita de Saracura ecos da grande tradição oral nordestina, lirismo contido, crítica social sem panfletagem e uma percepção profundamente humana das fragilidades e resistências do povo sertanejo. Antônio FJ. Saracura escreve como quem conhece por dentro o solo que pisa, os ventos que atravessam a caatinga e as cicatrizes invisíveis deixadas pelo tempo. Talvez por isso sua literatura carregue tantas verdades — daquelas que não se fabricam: nascem.

“Os Espinhos da Flor” confirma, assim, o vigor literário de um autor que honra a tradição cultural sergipana — especialmente a de Itabaiana — e revela potencial cada vez mais sólido na literatura regional contemporânea brasileira. Trata-se de uma obra que não apenas se lê: atravessa o leitor, deixando marcas discretas, porém duradouras, como certos espinhos que a memória jamais consegue arrancar por inteiro.

Bernivaldo Carneiro, ESCRITOR CEARENSE, autor de romances, crônicas, contos e registro histórico.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

OS ESPINHOS DA FLOR por Jilberto Rodrigues

 

OS ESPINHOS DA FLOR por Jilberto Rodrigues

Os Espinhos da Flor é o mais novo romance do escritor Antônio F J Saracura, publicado ano passado pela Editora Infographics. 

Já começo chamando atenção do leitor que a leitura dessa obra deve ser lenta, como quem degusta prazerosamente, de gole em gole, uma taça de vinho. Nesse ato de degustar a obra em seus capítulos, a cada livro (são oito ao todo) o leitor vai se encantando com os lances emotivos, saudosos, realísticos de uma narrativa fluida e envolvente em que figuram os protagonistas Romo (Rômulo) e Flor (Florita) de forma bem arquitetada, conforme o engenho criativo do escritor itabaianense.

Os cenários em que Romo e Flor atuam são recorrentes em outras obras do escritor, predominando o espaço urbano de uma grande cidade, no caso, Aracaju.  Nesse macro ambiente, esses personagens de origem humilde, provenientes dos povoados Flechas e Terra Vermelha, estabelecem-se, mas não apagam de tudo o passado em seus povoados de origem. Pelo contrário, em meio à nova vida, fincam suas raízes, marcam seu território e enfrentam os desafios.

         Saracura é um apaixonado por seu povo e pelo lugar de sua origem, de modo que, em cada livro que publica, traz à tona uma enxurrada de informações sobre sua gente. E com isso, não só resgata os tabaréus, preservando sua história, seus hábitos e seus costumes locais, como os eterniza para as gerações futuras.

         Outro detalhe que chama atenção na obra de Saracura é o fato de o narrador ser muito fiel à realidade em que Romo e Flor vivem. Numa narrativa minuciosa, ao estilo de um diário, ele expõe os altos e baixos da vida de casados desses personagens protagonistas.

Altos e baixos?

Ou seria uma forma metafórica, um jogo de imagens entre “espinhos” e “flor”, artifício usado como pretexto a fim de denunciar o machismo de um homem conservador e prepotente sobre uma figura feminina. Mesmo tendo uma aparência frágil, essa figura tem força para reagir ao modelo imposto por uma sociedade tradicional e machista, sem deixar de ser uma mulher amorosa, praticante de boa fé e uma excelente chefe de família.

Leiam a obra e tirem suas próprias conclusões.




(Por Jilberto Rodrigues de Oliveira, presidente da ALCAM/SE, MALHADOR, 04 DE FEVEREIRO DE 2026).

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

UMA CARTA VINDA DO CEARÁ, Bernivaldo Carneiro

 

UMA CARTA VINDA DO CEARÁ, Bernivaldo Carneiro

  



Caro Domingos Pascoal, tudo bem?

 Acabei de ler “PORTUGAL e Minha Avó Cega” e gostei tanto que não resisto em lhe solicitar: leve ao Saracura essa impressão rápida e sincera.


O livro me chegou mais como voz do que como obra — voz antiga, dessas que tateiam o mundo quando a visão falha e, talvez por isso, enxergam mais fundo. Escrita irônica, bem-humorada e sem pose, do tipo que não pede pressa: pede escuta.

Na lucidez da avó cega — eixo do livro — Portugal deixa de ser mapa e passa a nos pertencer. Ali há mais do que memória: há legado.

Por coincidência, naquela mesma semana, eu, minha mulher e um casal de amigos também circulávamos por Lisboa e arredores. Pena não termos nos encontrado lá. Teríamos certamente aberto um vinho e conversado sobre literatura, viagens, física quântica, a flexibilidade dos cachimbos de barro e as idiossincrasias dos miolos de potes.

Diga-lhe ainda que escrevo narrativas de viagem e a excursão acima referenciada integra o segundo livro de uma trilogia que venho construindo. E que terei enorme prazer em ler outros livros dele — por compra ou por um honesto escambo literário.



Abraço grande!

(Por Bernivaldo Carneiro, de Fortaleza, em 2026jan03)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

SILVANA MENDONÇA VIVEU O LIVRO, Silvana Mendonça

 

SILVANA MENDONÇA VIVEU O LIVRO

(Silvana é minha prima, artista plástico de sucesso, e que fez a capa do meu romance “PÁSSAROS DO ENTARDECER” e do livro de contos “OS FERREIROS”).




(Três dias antes):

Você não tem ideia da importância, da satisfação, do orgulho que tenho de ler seus livros. Nem eu mesma sei explicar pq gosto tanto de conhecer esse passado tão penetrante, tão próximo de mim, ao ler cada "história" fascinante. É uma saudade inexplicável que sinto da minha primeira infância nas Flexas, lembranças do meu pai, das minhas raízes... Ainda estou só começando "Os Espinhos da Flor".

Obrigada por vc existir, obrigada por escrever.

xxx

(Concluída a leitura do livro):

“Os Espinhos da Flor”, me prendeu esses três dias. Não fui ontem à tarde (Tarde de autógrafos que aconteceu na livraria Leitura no Riomar) pq estava apegada demais ao livro e, depois dos afazeres, meu pensamento era o devorar e assim fiz. Terminei agorinha.

Nem tenho palavras pra dizer o que achei do romance, mesmo pq falaria demais (Ferreiros que sou). Não pararia tão cedo de comentar, de tão especial que achei o livro.

Não me canso de agradecer a Deus por pertencer aos ferreiros que dão valor às origens, são alegres, inteligentes e conversadores.

Quanta coisa linda! Vou parar por aqui pra não repetir tanto as mesmas palavras de Tia Florita ... E eu que tentava mudar em mim algumas coisas... Minhas filhas me repreendem dizendo que eu falo pelos cotovelos. Mas que agora vejo que não roubei, herdei. E essa herança vem de longe e tem muitos ferreiros parecidos, não adianta eu querer mudar.

O sentimento que sinto ao ler um livro seu é bem parecido ao pegar uma tela em branco, pincel e tinta. A emoção de ver a pintura ganhando vida.

Estou triste pq acabei de ler, estou feliz pq vou viver uns dias viajando nas lembranças da leitura e da certeza das minhas identificações no jeito de ser com muitos ferreiros, certamente.

Vou dizer que o livro é excepcional.

(Saracura agradece):

Silvana, estou aqui comemorando suas palavras e achando que nosso povo rude mereceu (merece muito mais) os romances, contos, crônicas e poesias que escrevi sobre ele. Alguém teria que escrever (ou pelo menos começar a contar nossas histórias). Gente comum merece ter suas histórias contadas porque somos a grande maioria e que passa batida. A maior parte das obras literárias tratam de extremos: os pobres demais, os ricos demais, os maus demais, os bons demais. Acho que somos muito mais interessantes pois somos quase todo mundo.

Obrigado por se interessar pelos meus livros. Por falar deles. O escritor não existe até a horas em que o leitor abre o jogo e fala de sua obra. Enquanto isso, ele sofre inseguro, ansioso, por melhor que tenha escrito sua obra.

(Aracaju, 22 de dezembro de 2025)

 

GOSTOU DESDE A PRIMEIRA PÁGINA, Ismael Pereira

 

GOSTOU DESDE A PRIMEIRA PÁGINA

 

Ismael Pereira acabou de me ligar (22.12.2025) dizendo que iria falar da leitura que fez de meu livro “Os Espinhos da Flor”:

“Gostei desde a primeira linha lida. E não consegui parar a leitura. Quando precisei, estive sempre querendo retornar ao livro.

Suas palavras incomuns me levaram a momentos passados de minha vida e me fizeram recordar situações agradáveis que já iam se perdendo no passado.

Fiquei apaixonado por essa inconfundível e genial dona Flor que sempre desperta mais forte, mais disposta a realizar sonhos e, quando não consegue do jeito certo, inventa um, que funciona também.

Seus Saracuras e seus Ferreiros despertaram em nossos mundos, saídos do passado silencioso, ancestrais que agora são motivos de orgulho e de respeito. Você nos deu a todos, os clãs de que nos orgulham.

Sua obra mostra ao mundo o povo sergipano, representado pelo povo de Itabaiana, com suas particularidades, como um grande povo também, agora, com personalidade própria e destaque no mundo literário.

E digo por fim : 

Não sei se gostei mais de “Os Espinhos da Flor” ou de “Os tabaréus do Sítio Saracura”, que me encantou sem limite. Para mim, estas são duas obras primas da literatura brasileira.


(Foto Israel (filho de Ismael e Isabel Melo) que foi ao lançamento pois Ismael (o pai) esteve viajando). 

(Aracaju, 21 de dezembro de 2025)




(T3xro Acho que ele falou o que digo a seguir, talvez em uma ordem diferente e com outras palavras).