OS
ESPINHOS DA FLOR por Jilberto Rodrigues
Os Espinhos da Flor é o mais novo romance do escritor Antônio F J Saracura, publicado ano passado pela Editora Infographics.
Já começo chamando atenção do leitor que a
leitura dessa obra deve ser lenta, como quem degusta prazerosamente, de gole em
gole, uma taça de vinho. Nesse ato de degustar a obra em seus capítulos, a cada
livro (são oito ao todo) o leitor vai se encantando com os lances emotivos,
saudosos, realísticos de uma narrativa fluida e envolvente em que figuram os
protagonistas Romo (Rômulo) e Flor (Florita) de forma bem arquitetada, conforme
o engenho criativo do escritor itabaianense.
Os cenários em que Romo e Flor atuam são
recorrentes em outras obras do escritor, predominando o espaço urbano de uma
grande cidade, no caso, Aracaju. Nesse
macro ambiente, esses personagens de origem humilde, provenientes dos povoados
Flechas e Terra Vermelha, estabelecem-se, mas não apagam de tudo o passado em
seus povoados de origem. Pelo contrário, em meio à nova vida, fincam suas
raízes, marcam seu território e enfrentam os desafios.
Saracura é um apaixonado por seu povo e
pelo lugar de sua origem, de modo que, em cada livro que publica, traz à tona
uma enxurrada de informações sobre sua gente. E com isso, não só resgata os tabaréus, preservando sua história, seus
hábitos e seus costumes locais, como os eterniza para as gerações futuras.
Outro
detalhe que chama atenção na obra de Saracura é o fato de o narrador ser muito
fiel à realidade em que Romo e Flor vivem. Numa narrativa minuciosa, ao estilo
de um diário, ele expõe os altos e baixos da vida de casados desses personagens
protagonistas.
Altos e baixos?
Ou seria uma forma metafórica, um jogo de
imagens entre “espinhos” e “flor”, artifício usado como pretexto a fim de
denunciar o machismo de um homem conservador e prepotente sobre uma figura
feminina. Mesmo tendo uma aparência frágil, essa figura tem força para reagir
ao modelo imposto por uma sociedade tradicional e machista, sem deixar de ser
uma mulher amorosa, praticante de boa fé e uma excelente chefe de família.
Leiam a obra e tirem suas próprias
conclusões.
(Por Jilberto Rodrigues de Oliveira, presidente da ALCAM/SE, MALHADOR, 04 DE FEVEREIRO DE 2026).








